Impermanência e Imortalidade

Impermanência e Imortalidade
Título: Impermanência e Imortalidade
Autor: Divaldo Pereira Franco
Pelo Espírito: Carlos Torres Pastorino
Género: Desenvolvimento Pessoal e Espiritual
Editora: FEB

Por que amar a Deus acima de todas as coisas? Porque só ele é a permanência e, segundo este livro,  a impermanência, a incerteza, é o nosso desafio central para a nossa evolução e para a nossa relação com Deus. A visão desta impermanência demonstra que tudo quanto constitui a matéria é irreal. O avanço do conhecimento mostrou que tudo quanto existe na forma percebida é um engano do entendimento e da sensação. Por isso, se torna o exercício mais central da nossa vida discernir o que é impermanente e incerto, pelo que é permanente, que está sempre lá, por essa Presença ilimitada e contínua na nossa vida. Deus não é um objeto de fé, mas uma verdade que não pode ser negada, e que deve ser compreendida. Quando o Espiritismo expõe que Deus não é uma crença e nos convida a olhar o universo inteiro como manifestação do Ilimitado, não é relevante para o espírita se o cientista chama a Deus de “Lei Natural”. O que importa é que Deus está presente em tudo e em todos.

Segundo o próprio autor espiritual, este livro visa “contribuir, de alguma forma, em favor da análise em torno da impermanência física e da imortalidade, na qual todos nos encontramos mergulhados”. Entre os temas explanados nesta obra encontramos: a interação espírito-matéria, a função do sofrimento, o egoísmo humano, as incertezas que povoam a vida humana, a frustração, a desilusão, a ética e a razão, a liberdade, a felicidade, a meditação, entre outros.

 

Citações

A problemática da impermanência é o desafio essencial para ser solucionado, de modo que o permanente mereça atenção e estimulação, bases de segurança para o seu desenvolvimento e realização” (p. 117)

“O universo sempre demonstrou em todos os tempos, e prossegue confirmando, a fragilidade das referências ingénuas das doutrinas religiosas ortodoxas, bem assim de tudo quanto se pode observar, desmentindo essa certeza predominante. A dúvida passou então a governar o pensamento e, enquanto o conhecimento tem avançado no rumo das origens, mais detecta os erros crassos das imposições dominantes” (p. 119)

“Como decorrência da incerteza nas mentes nasceu o relativismo dos valores morais, bem como dos procedimentos éticos, que não podem submeter-se a padrões ingénuos, elaborados por obscurantistas, nem desregrados, decorrentes dos utilitaristas e gozadores” (p. 121).

“Para que uma fé religiosa, por exemplo, possa apresentar a verdade e propor certezas, deve fundamentar-se na exposição filosófica dos seus conteúdos, nos métodos e resultados da investigação científica e na análise racional dos seus parâmetros. Fundamentar-se em conteúdos que avancem com o pensamento sem alterar as suas estruturas essenciais, constitui-lhe o recurso filosófico mais eficaz para enfrentar a razão na sucessão dos tempos, tornando-se uma fé legítima, conforme definiu Allan Kardec em referindo-se à crença verdadeira, aquela que é defendida pelo Espiritismo” (p.122)

“Espiritismo, pois, conforme delineado na Codificação pelo eminente Allan Kardec, apresenta-se com todas as características exigíveis para eliminar a incerteza em torno da realidade do ser espiritual que todos somos, da sua preexistência ao berço e da sua sobrevivência ao túmulo, acenando com excelentes possibilidades para alcançar a plenitude ainda na jornada terrestre, prolongando-se pela sucessão dos tempos na Imortalidade” (p. 123).

“Permanentes são o Espírito e a sua especial constituição energética, porquanto, Criado por Deus, a Eterna Causalidade, avança, sem cessar (…). Mesmo nesse processo experimenta impermanências especiais que equivalem como sublimação da energia que se subtiliza incessantemente” (p.207)

“Todo despertar espiritual é também uma forma de crise existencial em face da mudança e conceitos e valores, de aspirações e vivências que se relacionam co o ser físico, mas também com o Espírito imortal, produzindo alterações dilaceradoras na primeira fase a fim de romper a couraça do ego apaixonado e transmudar o sentimento em relação à vida perene.” (p. 211)

“Quando o Evangelista João informou que Deus é Amor, estabeleceu um paradigma de permanência real, porque se encontra em todo o Universo como Harmonia, antes e depois do tempo e do espaço.

A impermanência de tudo e de todos, a morte e o renascimento cessam quando o Espírito liberado da conjuntura do ir e vir alcança a plenitude de consciência e pode contemplar a Permanência Divina”. (p. 213)

“Foi Jesus quem apresentou o Amor com fundamental para a Vida, dando início ao primado do dever e da moral como essenciais à felicidade humana. Antes dele, os princípios da ética moral eram graves, especialmente em Israel, atados às leis severas, estabelecidas por homens cruéis, mais interessados em punir, em vingar-se, do que em educar e corrigir. (…) Como resultado da difusão do pensamento cristão, houve uma alteração das linhas clássicas da conduta moral em razão das propostas em torno da origem e do destino do ser humano, o que se consolidou na época em que ocorria o fim do período da escolástica clássica.” (p. 252)