Paulo de Tarso, conhecido no meu católico por S. Paulo, ele, Saulo de Tarso (sua terra natal), o doutor da lei judaica, o célebre verdugo do Cristianismo nascente e algoz do primeiro mártire Cristão – Jeziel, mais tarde conhecido por Estevão, ao 34º ano após o Calvário.
A conversão de Paulo é um momento crucial na existência crística. Foi ele quem mais fez pela divulgação do Evangelho depois do Cristo.
Esta obra de Ruy Kremer toca-nos profundamente, em particular pela viagem de sentimentos e reflexões que experimentamos ao seguir os acontecimentos e tormentas da vida de Paulo, que percorreu a pé mais de 5.000 km, tendo ainda viajado por inúmeras terras distantes, desde a Palestina, à Síria, Grécia, Itália, Macedónia, passando ainda pela Ásia e Espanha. Por incontáveis vezes Paulo foi maltratado, injuriado e violentamente açoitado nas suas viagens, maioritariamente a mando dos Judeus do Sinédrio (em Jerusalém) – que inclusive preparam, mais do que uma vez, o seu assassinato.
Ao longo das suas jornadas, nomeadamente nas designadas três Viagens Missionárias, funda ou orientou a criação das chamadas Ekklêsias (igrejas, mas sem semelhança às de hoje), espaços organizados em casas particulares ou alugadas para servirem a missão da caridade, do consolo e da partilha sobre os ensinamentos do Mestre. Porém, naquele tempo, tornaram-se, também, o alvo das conjuras dos judeus poderosos (que temiam a perda da sua influência pela quantidade de conversões que se davam a partir das iniciativas de Paulo) e, depois, dos desmandos do Império Romano, particularmente de imperadores impiedosos.
E é nesta manta de esforços que Paulo mergulha para auxiliar e consolar alcançando milhares de almas. E quando já não consegue gerir com a sua presença as inúmeras Ekklêsias fundadas inicia uma incrível circulação epistolar (cartas – Epístolas de Paulo).
Citação
“Era uma busca de almas muito pessoal, face a face, homem a homem, de casa em casa. Vemos Paulo e Silas, com suas folhas de apontamentos contendo os endereços de seus protegidos, ir pelas ruas e pelos mais diversos bairros e subúrbios, subindo e descendo escadas. Paulo se preocupava pessoalmente por cada um, ouvia suas dúvidas, dificuldades e petições; com seu admirável poder de insinuação se introduzia no coração de cada um em particular, empregando sua maravilhosa força de persuasão, sua encantadora afabilidade, seu desinteressado espírito de sacrifício. Todos estavam presentes no seu coração e em sua memória , os que tinham dúvidas, os que tinham reparos, os difíceis, os impiedosos, os angustiados e os desbordantes de entusiasmo, os críticos e também os vacilantes e tímidos. A ninguém perdia de vista.” (p.348-9)
“A cena foi tocante… começaram a chegar à praia os anciãos, as mulheres, as crianças, os inúmeros filhos que gerara na fé, todos desejosos de abraçar a figura paternal de Paulo, e prestar-lhe efusivas demonstrações de carinho.” (…) “A própria Maria de Nazaré, segundo Emmanuel, já avançada em anos, veio de longe e fez-se presente, para levar uma palavra de afeto àquele que era, segundo o mentor espiritual, “o paladino intimorato do Evangelho de Seu Filho”.
