Subjacente a esta obra está a intemporal observação de Jesus: “Os homens desejam a paz, mas não buscam as coisas que trazem paz”. A premissa de partida é que o melhoramento da sociedade não surgirá de nenhum dos cristianismos estruturados institucionalmente. Posto isto, Hermínio C. Miranda faz uma reflexão que analisa os contributos já documentados sobre o Cristianismo – recorrendo à Teologia e à História – e identifica a verdadeira face do cristianismo recuperando a mensagem de Cristo, sem academismos, sem dogmas, sem ritualismos. Nessa tentativa, o autor mostra ainda a simplicidade e nitidez da mensagem de Jesus, que não vem através de nenhum erudito.
A leitura desta obra exige fôlego, pois não deixa de ter uma ampla pesquisa cronológica para reconstruir a história do Cristianismo, passando por assuntos nodais, tais como: os milagres, a ressurreição, a instituição dos sacramentos, os documentos canónicos.
Citações:
“Jesus não escreveu um tratado de teologia pela simples razão de que não foi necessário. E também por isso, ensinou ele que a Verdade tem o estranho vezo de ocultar-se aos sábios e revelar-se aos ignorantes. Não que seja ela rasa e simplória, mas porque sendo simples sintoniza-se com os simples e não com os sofisticados e arrogantes intelectuais do nosso tempo, da mesma forma que não atraiu os daqueles tempos”. (p. 30)
“Quando dizia ele que não veio revogar a lei (…) Até nisso há uma mensagem a examinar-se: a abertura de amplas janelas panorâmicas para o futuro, quando o ser humano deixará de ser tão contraditório e imaturo (…)” (p. 120).
“E nisto está certíssimo Paulo, que coloca a tónica da sua pregação no conceito de fé” (p. 282)
