No mundo maior

No mundo maior
Título: No mundo maior
Autor: Francisco Cândido Xavier
Pelo Espírito: André Luíz
Género: Ciência espírita
Editora: FEB
Observações: 1ª edição, 1947

No mundo maior continua a série em que André Luiz nos traz relatos da vida no mundo espiritual, desta vez focando mais detalhadamente casos de auxílio no domínio dos distúrbios da mente, nas esferas mais próximas à crosta. Como nos é dito na introdução da obra, “a missão de André Luiz é a de revelar os tesouros de que somos herdeiros felizes na Eternidade, riquezas imperecíveis, em cuja posse jamais conseguiremos entrar sem a indispensável aquisição de sabedoria e amor”.

O livro não segue uma narrativa linear; em vez disso, apresenta diversos casos atendidos pela equipa espiritual coordenada pelo instrutor Eusébio e composta pelo Assistente Calderaro que é quem explica as situações visitadas por ele e André Luiz: situações de suicídio, aborto, epilepsia, mongolismo (síndrome de Down), alienação mental, desequilíbrios sexuais, esquizofrenia e psicose. Cada caso é analisado sob a perspectiva da lei de causa e efeito, mostrando como os desequilíbrios atuais têm raízes em ações passadas e como o trabalho de auxílio espiritual atua na recuperação dessas almas.

Um ponto de destaque é o trabalho de Eusébio em reuniões noturnas onde espíritos encarnados (durante o sono do corpo físico) recebem orientação espiritual para fortalecerem-se mentalmente e evitarem a loucura, o suicídio e outros desequilíbrios graves. Aliás o livro abre com uma preleção de elevada beleza dada pelo instrutor. Nota ainda para Cipriana que revela como o saber intelectual de nada serve para o verdadeiro auxílio à alma, mas sim a capacidade de amar. Esta é, pois, uma obra que privilegia os temas de saúde mental sob a ótica espírita, pioneiro para a época (o livro foi publicado em 1947) integrando conhecimentos da psiquiatria com a doutrina espírita, enfatizando a importância do trabalho assistencial e da compaixão. A obra mostra em detalhe os mecanismos do socorro espiritual durante o sono e deixa uma mensagem de esperança sobre a possibilidade de regeneração.

 

Citações

“O progresso material atordoa a alma do homem desatento” (p. 17)

“De cérebro evolvido e coração imaturo, requintamo-nos, presentemente, na arte de esfacelar o progresso espiritual” (p. 27).

“Antes de mais nada, André, modifiquemos o conceito. Para transformar-nos em legítimos elementos de auxílio aos Espíritos sofredores, desencarnados ou não, é-nos imprescindível compreender a perversidade como loucura, a revolta como ignorância e o desespero como enfermidade” (p. 40)

“(…) o conhecimento pode pouquíssimo, comparado com o muito que o amor pode sempre” (p. 65)

“Salvar alguém, ou socorrê-lo, não significa subtrair o interessado à oportunidade de luta, de alçamento ou edificação. Constitui amparo fraternal para que desperte e se levante, entrando na posse do equilíbrio que caracteriza aquele que o ajudou” (p. 200)