Há dois mil anos

Há dois mil anos
Título: Há dois mil anos
Autor: Francisco Cândido Xavier
Pelo Espírito: Emmanuel
Género: Romance
Editora: FEB
Observações: 49ª edição em 2013, lançado em 1939

O livro começa com a apresentação de dois amigos Públio Lentulus Cornelius, senador romano, e marido de Lívia, e Flamínio Severus, marido de Calpúrnia. Estávamos no ano de 31. A família Lentulus atravessava um grande desgosto devido à doença da sua filha Flávia, que parecia padecer de lepra. Entretanto Públio conta a Flamínio um sonho que teve, no qual se viu numa época pretérita. Viu-se ainda na sua passagem pela vida espiritual após a sua morte (pretérita), onde era fustigado pela perseguição daqueles que tinham sido vítimas da sua tirania (na Terra), bem como a forma como Lívia o ajudou naqueles momentos dolorosos.

Na sua vida presente Públio faz o seu percurso, mas sem deixar por completo os seus traços tirânicos que envolviam o seu carácter. Isso mesmo se verifica numa das cenas do livro, em que impiedosamente manda chicotear um jovem, em que, uma vez mais, é Lívia que o detém dizendo: “Basta, Públio, porque os direitos da nossa condição não traduzem deveres de impiedade”.
Nos capítulos iniciais desta impressionante obra, a história desta família romana cruza-se com a de Jesus, assistindo-se a um comovente pedido da pequena Flávia para ver o Cristo. A saga de Há dois mil anos, romance espírita psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier com autoria atribuída ao espírito Emmanuel, foi inicialmente publicado em 1939 pela Federação Espírita Brasileira. Com o sub-título de Episódios da História do Cristianismo no Século I, a obra narra os principais episódios da vida do orgulhoso senador romano Públio Lentulus (que teria sido uma das encarnações do autor espiritual – Emmanuel), entre os quais está o encontro com Jesus, o milagre da cura pelo Divino Mestre da filha que contraíra lepra e a conversão da esposa, Lívia, ao cristianismo.

Segundo uma pesquisa realizada em 1999 pela Candeia Organização Espírita de Difusão e Cultura, o livro “Há Dois Mil Anos” faz parte da lista dos 10 melhores livros espíritas publicados no século XX.

 

Citação

“— Contudo, confiemos na magnanimidade dos deuses…

— Dos deuses? — repetiu Publius com mal disfarçado desalento. —

A propósito desse recurso imponderável, tenho excogitado mil teorias no

cérebro fervilhante. Há tempos, em visita a tua casa, tive ocasião de conhecer mais intimamente o teu velho liberto grego. Parmênides falou-me da

sua mocidade e permanência na Índia, dando-me conta das crenças hindus,

com as suas coisas misteriosas da alma. Acreditas que cada um de nós possa

regressar, depois da morte, ao teatro da vida, em outros corpos?

— De modo algum — replicou Flamínio energicamente. —

Parmênides, não obstante o seu caráter precioso, leva muito longe as suas

divagações espirituais.

— Entretanto, meu amigo, começo a pensar que ele tem razão.

Como poderíamos explicar a diversidade da sorte neste mundo? Por que

a opulência dos nossos bairros aristocráticos e as misérias do Esquilino?

A fé no poder dos deuses não consegue elucidar esses problemas torturantes. Vendo minha desventurada filhinha com a carne dilacerada

e apodrecida, sinto que o teu escravo está com a verdade. Que teria

feito a pequena Flávia, nos seus 7 anos incompletos, para merecer tão

horrendo castigo das potestades celestiais? Que alegria poderiam encontrar as nossas divindades nos soluços de uma criança e nas lágrimas

dolorosas que nos calcinam o coração? Não será mais compreensível e

aceitável que tenhamos vindo de longe com as nossas dívidas para com

os poderes do Céu?”

pág. 17-18