O trabalho mediúnico na Casa Espírita

 

“Não há educação mediúnica sem crescimento moral, conquista que atrairá os Bons Espíritos, fortalecerá os laços com o Anjo Guardião enquanto reforça o nível energético do perispírito e melhora a organização mental de tal modo que o banco de dados das ideias arquivadas esteja prontamente disponível” 

(Vivência Mediúnica, Projecto Manoel P. de Miranda. Orientações gerais aos participantes) [1]

Na Casa Espírita, em salas de trabalho mediúnico, os espíritos manifestam-se por intermédio dos médiuns psicofónicos, também designados de incorporação. Estas manifestações permitem o diálogo entre espírito e doutrinador com o objetivo de esclarecer e consolar o espírito que se comunica. São três os principais objetivos, não necessariamente por esta ordem, ou estando na descrição abaixo todos os pontos sobre este assunto. Primeiro, modificar a ideação sobre a presença do espírito junto à realidade terrena, que por norma é aquela que antecedeu o evento da morte.

Segundo, contribuir para o desligamento da sintonia espiritual entre esse espírito e a pessoa a quem se mantém ligado, pela afinidade de pensamentos, perturbando-a.

Terceiro, auxiliar à modificação da ideação sobre a sua realidade atual, ajudando o espírito a se elevar e percepcionar a realidade espiritual onde se encontra.

Quarto, ajudar, pela evidência e pelo alívio da carga espiritual, as pessoas que se dirigem à casa espírita – à sala de trabalho mediúnico, em busca de auxílio espiritual. A ligação entre os espíritos e as pessoas é determinada pela afinidade espiritual, comportamento psíquico, e resultado da lei de causa e efeito.

Os espíritos, por equívoco, má intenção, ou agindo como protetores e impulsionadores do avanço pessoal e social, ligam-se à sintonia psíquica das pessoas. Se a interferência dos espíritos (desencarnados) sob o pensamento das pessoas (espíritos encarnados) é negativa, o efeito provocado pode derivar em desarranjo químico, orgânico e comportamental, o qual se pode verificar pelo simples mal-estar, até às perturbações do sono, mas também, em casos mais sérios, ao vício, à angústia, à neurose, à depressão, à obsessão, até aos maus tratos autoinfligidos e à ideação suicida. A perturbação sentida pode ainda estar associada ao desenvolvimento de uma mediunidade não educada da pessoa, nomeadamente se se tratar de mediunidade de psicofonia (vulgarmente designada de incorporação). Nestes casos a pessoa está sujeita a receber os espíritos que por esta se querem manifestar, em alguns casos acontecendo de forma compulsiva.

É importante notar que a causa da perturbação ou doença psicológica, psíquica ou mental é sempre de origem espiritual, podendo esta, pela continuação da perturbação, derivar numa doença com efeitos orgânicos. Por conseguinte, o tratamento médico complementado pelo tratamento espiritual, pode ser fundamental para a cura ou alívio de sintomas. Sobretudo, é relevante para a compreensão da origem do problema e, assim, para que a pessoa se possa munir dos devidos instrumentos de protecção: modificação de pensamentos, aceitação da dor durante os períodos de menor estabilidade até que possa melhorar a sua condição, modificação de comportamentos, nomeadamente os auto lesivos, compreensão da realidade espiritual e da dinâmica entre passado e presente na aplicação da lei de causa e efeito.

Oração e vigilância aos próprios pensamentos, tal como ensinado por Jesus, é um importante instrumento de autoajuda, pois, por ordinário, são os espíritos quem nos comandam. E sendo assim, que desenvolvamos afinidade e harmonia com aqueles que nos inspiram e ajudam a ao bem, não com aqueles que nos perturbam. É pela espiritualidade superior, pelos antigos amigos e familiares que, do outro lado da vida, nos auxiliam, seja nas tarefas simples do quotidiano, seja nas mais complexas – por exemplo, envolvendo a criatividade e o avanço do conhecimento, das artes, da ciência, da sociedade, etc.

Para melhor ilustrarmos a dinâmica de cooperação nas salas de trabalho mediúnico na Casa Espírita ilustramos as interdependências entre doutrinadores, médiuns psicofónicos, espíritos que se manifestam no médium, pessoa que vai a tratamento (na sala de trabalho mediúnico), espiritualidade superior (que organiza a vinda dos espíritos que se manifestam, bem como aquilo que estes podem ou não dizer nessas manifestações) e os ensinamentos de Jesus.

Primeiro – o médium psicofónico

O Médium disponibiliza o seu corpo e magnetismo para o trabalho mediúnico, pelo que é o instrumento usado pelo espírito para que este se possa comunicar. Ele é o veículo que permite o diálogo entre o doutrinador e o espírito, pois a proximidade do espírito da realidade terrena – associada à sua condição moral (baixa ou pouco esclarecida), impede-o de escutar a espiritualidade superior. Porém, ela está sempre em ação, desde logo conduzindo o espírito ao consolo junto da Casa Espírita ou junto de um médium sensível onde encontra fluídos de auxílio.

Após a morte do corpo o espírito não tem consciência sobre a transição entre o plano terreno e o espiritual, pelo que ao despertar no outro lado da vida sente-se como sempre se viu, em vida. Muitos destes ainda pensam que estão na Terra, pelo que mantêm as mesmas projeções de ideias que antecederam a morte, bem como as mesmas sensações e as mesmas preocupações. Quando se manifestam no médium estranham a explicação da morte, pois se estão a dialogar é porque estão vivos, e estão, mas já sem corpo.

Um testemunho do despertar após a morte é-nos dado pelo espírito André Luiz, médico na Terra, onde era um benemérito pela ajuda a desvalidos. Porém, e apesar dessa conduta, isso não evitou sete anos no umbral (num plano espiritual inferior – de dor) até ser resgatado pela sua mãe para um plano espiritual superior. Passou no umbral os anos que retirou à vida por ter precipitado a sua morte (natural) pela incúria alimentar e outros hábitos não saudáveis. Este mesmo espírito viria posteriormente a colaborar na elaboração de inúmeras e importantes obras psicografias pelo médium brasileiro Francisco Cândido Xavier (Xico Xavier). Nestas obras testemunha-se, por exemplo, a forma de vida no plano espiritual.

Estas são obras fundamentais na literatura espírita e demostram que o trabalho em prol de outros nunca acaba, seja o que se realiza deste lado da vida, seja aquele que se concretiza do outro.

Sobre como proceder com a prática da mediunidade na Casa Espírita, é fundamental começar-se pelo estudo das obras da codificação Espírita de Allan Kardec, tal como refere Yvonne do Amaral Pereira em “A Luz do Consolador” [2]:

O estudo fiel e dedicado dos Evangelhos, portanto, e também da Doutrina dos Espíritos, é indispensável àquele que deseje prestar a sua colaboração. (…) São aquisições difíceis, que requerem perseverança e muito amor, humildade e raciocínio isento de personalismos e conveniências. (…) Teremos que nos renovar para a Doutrina: aprimorar nossa moral, educar a mente e o coração, mas jamais deturpá-la com as nossas opiniões pessoais, sempre prejudicadas.” (p. 49)

Segundo – o espírito e a pessoa que procura ajuda na Casa Espírita carecem de consolo

A presença do espírito no médium deve ser compreendida como sendo de um sofredor que carece de consolo e não como um malfeitor, embora possa ser maldosa (por ignorância espiritual) a sua motivação em relação à pessoa que “persegue”.

O indivíduo que vai em busca de ajuda à Casa Espírita, nomeadamente a que procura o tratamento na sala de trabalho mediúnico é igualmente um sofredor. É o exemplo da pessoa que é perturbada por ideias obsessivas induzidas por um espírito obsessor (ou mais), que tenha como objetivo destruir a pessoa, desanimá-la, entristecê-la, ou anular-lhe a vontade de realizar coisas edificantes.

No caso de um espírito obsessor, que busca a vingança da pessoa por motivos de desavença grave em vidas passadas, importa esclarecê-lo sobre a lei de causa e efeito e a relação espaço-tempo. A dor que sente é equivalente à que terá causado, eventualmente à mesma pessoa, mas em vidas anteriores àquela em que se sentiu injustiçado.

É-lhe explicado pelo doutrinador que as suas motivações alimentam um estado de tensão, angústia e desconforto do qual só se livra por ação do perdão. Ao compreender que a origem da sua dor está no orgulho ferido é impelido a escutar as sugestões e explicações do doutrinador, nomeadamente sobre o facto de que a justiça que procurava era, afinal, a vingança.

A verdadeira justiça não é a dos Homem, mas sim a de Deus, que se materializa pela lei de causa e efeito.

Neste diálogo, o espírito pode ser levado a constatar que também ele já foi perdoado, pois se sofreu foi porque antes fez sofrer. E como somente o perdão resolve este ciclo imparável de causa e efeito, é hora de o fazer. Quando necessário é necessário confrontar o espírito com a visão do seu passado.

Com o auxílio dos espíritos que cooperam e organizam os trabalhos mediúnicos, é-lhe mostrado o acontecimento onde ele foi o algoz, provavelmente, daquele que agora procura vingar-se.

O espírito é ainda esclarecido sobre o facto de que a pessoa que persegue vive uma nova vida, num novo corpo, numa nova reencarnação, com novos princípios morais, ou com a intenção de os alcançar. Por norma a compreensão desta realidade convence o espírito a baixar os seus intentos mais funestos e a aceitar a importância do perdão. Quando isto não sucede e ao se mostrar relutante é afastado da pessoa e vigiado (como que encarcerado espiritualmente) até que vá cedendo no seu orgulho. Isto até nova(s) doutrinação(ões), ou ajuda direta no plano espiritual. Neste processo vai compreendendo e cedendo, até que ao momento em que possa ascender no plano espiritual libertando-se da proximidade terrena. A partir dali fará o resto do seu caminho no plano espiritual, mas já liberto da dor e do ódio.

No caso da pessoa que está na sala mediúnica a receber a respetiva ajuda, é muito provável que já tenha evoluído o seu comportamento relativamente àquele que terá tido na vida pretérita. O comportamento que terá dado origem à desavença alimentada pelo espírito com a intenção de vingança – o espírito obsessor.

Esta pessoa está numa Casa Espírita. Já se humildou ao pedir auxílio. Provavelmente esforçar-se para compreender a sua realidade espiritual. Estas ações denotam a sua vontade de modificação, pelo que são, desde logo, a primeira e a maior ajuda a si mesmo.

De facto, a pessoa tem de pacientemente trabalhar a sua modificação interior, nomeadamente pelo equilíbrio entre o seu Self (alma) e o seu ego (pelo qual se excitam as necessidades deformadas pelo orgulho, pelo egoísmo, pelos prazeres mundanos). É um trabalho aturado, mas fundamental para o seu bem-estar. Se todos vivemos num mundo de expiação e provas, ninguém esta em vantagem em relação ao outro. Por isso, todos nos encontramos “endividados” face aos nossos atos (morais) do passado.

Neste sentido, nunca é tarde para compreendermos os ensinamentos de Jesus. E a Casa Espírita procura ser a escola que fala sobre estas dinâmicas do Eu, do Espírito, da interação espiritual e terrena, e dos instrumentos que podemos usar para nos melhorarmos. Por exemplo, pela disciplina, oração e vigilância de sentimentos e pensamentos. Sobretudo, é importante focarmos atenção no trabalho de autoconhecimento, de libertação e manutenção do bem-estar íntimo.

Terceiro – o doutrinador procura esclarecer o espírito sobre a sua realidade

Para esclarecer os espíritos sobre o seu novo estado, o doutrinador usa diversas abordagens para avançar no diálogo. Mas somente pela transformação de vontades por parte de ambos, espírito e pessoa, é que se poderá dar a reconciliação. Um perdoa (fim da perseguição espiritual) e o outro merece o perdão (fim da expiação terrena relativa àquela situação). A doutrinação surge como mediador neste acontecimento, pelo que é um trabalho de caridade, pois ambos precisam de consolo e esclarecimento. O espírito merece essa ajuda e por isso é conduzido à Casa Espírita para ser esclarecido. A pessoa, pelos seus esforços de modificação (desde logo aquele que a leva à Casa Espírita em busca de auxílio), também merece essa ajuda, pelo que a recebe pelo apoio terreno e espiritual.

Há inúmeras situações que poderiam ser descritas sobre a relação entre espíritos e pessoas perturbadas pela presença obsessiva daqueles. Por exemplo, se o espírito está relutante em aceitar o facto de que já não está na Terra, o doutrinador pode convidá-lo a tocar no rosto que julga ser o seu, mas que na verdade é do médium pelo qual se está a manifestar. Ao fazê-lo dá-se conta da verdade. Após a confusão e negação inicial, o diálogo pode ganhar um novo sentido levando o espírito a compreender a sua nova condição.

Uma outra situação é quando o espírito se apresenta queixoso de sensações físicas, tais como frio, indisposição ou outra. Nestes acasos projecta-se a ideia de que já têm o que pedem, por exemplo, um cobertor, uma janela por onde agora passa o sol, etc. Tudo está na relação entre a sugestão entregue pelo doutrinador e a forma como os guias espirituais que conduzem os trabalhos induzem essas imagens no pensamento do espírito. O diálogo depois pode prosseguir de forma mais tranquila.

Outro exemplo, decorre de acidentes, em que face ao choque e a sensação de dor, obriga o doutrinador a projetar a ideia da chegada de uma ambulância para a qual o espírito é convidado a entrar. O objetivo é providenciar o meio de socorro que sirva de alento ao sofrimento que ainda julga sentir a nível físico.

Outras vezes, o espírito é espectador do próprio aparato provocado pelo acidente que sofreu, mas não sabe que foi aquela situação que levou à morte do seu corpo. Nestas situações conduz-se pode-se conduzir o espírito até ao corpo caído, ou explica-se o sucedido sem que seja necessária essa evidência. Tudo depende do estado em que este aparenta estar para que a verdade lhe seja entregue.

Por norma, ao se dar conta do sucedido e aceitando a situação, sobretudo ao se perceber vivo – pois está a dialogar e a pensar – é-lhe explicado todo o resto. E casos há em que são simplesmente resgatados do local em que a morte se deu encorajando-os a seguir a voz do doutrinador, a se concentrar nas suas palavras e assim a ser retirado da projeção de ideias que o mantém em sofrimento. Depois de sereno, já é possível estabelecer o diálogo. Explica-se questionando-o. E é pelo diálogo que o doutrinador compreende a situação a tratar, pois é o espírito que está a ver aquela realidade, não o doutrinador.

Noutros casos o espírito está queixoso e implorando pela presença do médico ou de um enfermeiro que, entretanto, não tinha chegado para o socorrer. Essa poderá ter sido a sua última súplica e preocupação antes do desencarne (da morte). Nestas situações o espírito é retirado do local e do pranto de dor em que se encontra, levado para um hospital (no plano espiritual), ainda que este julgue estar num hospital na Terra e colocado num estado de dormência. A partir daqui já pode ser ajudado no plano espiritual.

Noutras situações, os espíritos que se manifestam estão conscientes da sua realidade espiritual, porém, estão contra os trabalhos espíritas, que julgam ser de bruxaria, ou de outro género místico. Estes são por vezes antigos clérigos ou académicos. Nestes casos os diálogos são mais elaborados e a argumentação mais renhida. O orgulho e altivez intelectual destes indivíduos é o primeiro obstáculo a debelar. A argumentação do médium e o maior ou menor atraso moral do espírito (não intelectual), leva-o ao entorpecimento face ao que desconhece, ajudando-o a ceder à revolta e à incredulidade em que se encontra. O diálogo termina quando se atinge o objetivo pretendido: consolar.

Quarto – a ligação do espírito à pessoa que vai à sala de trabalho mediúnico

Esta ligação acontece por razões de afinidade espiritual e vibratória decorrente, também, da lei de causa e efeito. Todavia, sendo a mediunidade uma característica humana ela pode despertar ou manifestar-se em qualquer um, pelo que a pessoa que vai à Casa Espírita em busca de tratamento é, por vezes, médium psicofónico, mas com mediunidade não educada.

Nestes casos a pessoa pode estar sujeita à manifestação compulsiva e em qualquer lugar por parte dos espíritos obsessores. Estes dominam o transe psíquico e o controlo do corpo da pessoa.

Sobre este assunto ler “O Livro dos Médiuns” de Allan Kardec. A leitura das obras de Allan Kardec é fundamental para estas pessoas, pois precisam de compreender a naturalidade da mediunidade, mas também como proceder em relação a ela, nomeadamente junto de uma Casa Espírita.

Quinto – a espiritualidade superior

Sem a cooperação da espiritualidade superior não haveria proteção suficiente para que o trabalho mediúnico se realizasse em condições de segurança, tanto para os médiuns, como para aqueles que buscam o consolo e socorro. Nem mesmo possibilidade para que os trabalhos se realizassem tal como eles se dão. Assim, é importante compreender que o trabalho na sala mediúnica sucede por intervenção destes guias espirituais, sendo a equipa terrena meros cooperantes. Mais referências sobre este assunto no livro o “Nosso Lar”, de Francisco Cândido Xavier, orientado pelo espírito de André Luiz) [3].

O consolo prestado na Casa Espírita é fruto da colaboração de uma vasta equipa e do sentido de caridade, visando-se a execução da obra de Jesus, tal como referiu em mensagem ditada pelo Espírito de Verdade nas obras de Kardec:

Espíritas! amai-vos, eis o primeiro ensinamento. Instruí-vos, eis o segundo. Todas as verdades são encontradas no Cristianismo; os erros que nele criaram raiz são de origem humana. E eis que, além do túmulo, em que acreditáveis o nada, vozes vêm clamar-vos: Irmãos! nada perece. Jesus Cristo é o vencedor do mal, sede os vencedores da impiedade!” – (Espírito de Verdade. Paris, 1860, em “O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, Cap. VI, item 5).

Sexto – os ensinamentos de Jesus

Por fim, os ensinamentos de Jesus, pelos quais se pautam todos os diálogos e se guia a ajuda e inspiração de todos os intervenientes nos trabalhos na Casa Espírita. Foi Jesus quem ensinou sobre a continuidade da vida e a necessidade de caridade. Os espíritos que se manifestam e aqueles que buscam ajuda carecem de consolo sobre a Verdade da vida, que é eterna para o espírito.

 

Referências

[1] Item 20, recuperado de http://slideplayer.com.br/slide/1590527/.

[2] PEREIRA; Yvonne do Amaral, À Luz do Consolador, FEB, 1998.

Título: À luz do consolador

[3] XAVIER, Francisco Cândido, pelo espírito André Luiz, O Nosso Lar, FEB. Recuperado de http://www.oconsolador.com.br/linkfixo/bibliotecavirtual/chicoxavier/nossolar.pdf.

Título: Nosso Lar